Insubordinação Criativa e Inovação Pedagógica: reflexões no ensino, na formação e na investigação
Revista Saber&Educar
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Caderno temático: Insubordinação Criativa e Inovação Pedagógica: reflexões no ensino, na formação e na investigação
As discussões sobre os conceitos e as ações de insubordinação criativa, reveladas nos mais diversos contextos educacionais que compreendem o ensino, a formação contínua e a investigação, assumem-se como exigências transformadoras e que contribuem para a inovação pedagógica ao serviço do sucesso educacional, o que implica experiências educacionais mais humanas, colaborativas e centradas no bem-estar e na inclusão. Disso dão conta as várias iniciativas em curso nos vários grupos de investigação de natureza universitária, em particular no Sul Global.
As primeiras discussões sobre insubordinação criativa surgiram quando Morris et al. (1981) apresentaram um estudo com diretores de diversas escolas de Chicago, em que adotaram posturas contrárias às normas distritais escolares, defendendo, deste modo, as decisões dos/as professores/as, baseadas no bem-estar e interesse dos/as alunos/as. Em outras investigações (Crowson, 1989; Haynes & Licata, 1995; Keddy, 1992), o conceito de insubordinação criativa é apresentado como uma tomada de decisão que pode desobedecer a leis e ordens superiores no caso de serem prejudiciais a um determinado grupo, o que implica uma transgressão fundamentada e construtora de contextos educativos capazes de se adaptarem e responderem a novos públicos, novas exigências sociais e novas formas de aprender.
Depois de muitos anos de pesquisas e discussões, as temáticas voltadas para a justiça social, com o olhar direcionado ao bem-estar do próximo, passaram a ser um campo fértil de estudos. Para Gutierrez (2013), a insubordinação criativa está associada ao apoio aos/às professores/as, nomeadamente de Matemática, na luta contra a opressão e a discriminação docente para incentivar a sua voz política por meio das normas governamentais. Em paralelo, D’Ambrosio e Lopes (2015) avançaram com as investigações no âmbito das ações de insubordinação criativa de professores/as e, também, de investigadores/as, destacando os desafios em várias situações para os quais não encontram respostas imediatas, o que pressupõe um movimento contínuo sobre como se conhecem enquanto profissionais, criando laços com a capacitação para a inovação pedagógica. Desse modo, a desconstrução dá voz ao inesperado, que colabora para que sejam mobilizadas não só as teorias e metodologias, mas também as conceções dos profissionais, as suas perceções e o seu saber-fazer, despontando a criticidade, a criatividade e a autonomia, pressupostos das ações de insubordinação criativa e de inovação pedagógica.
Ancorados nos estudos em curso no Grupo de Estudos e Pesquisas em Insubordinação Criativa (GEPIC), ligados à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Brasil, têm sido apontadas algumas problemáticas indutoras de reflexão académica ponderada, sistematizadas em cinco perguntas, que servem de leitmotiv da chamada a artigos para este caderno temático:
- O que temos estudado nas nossas gaiolas epistemológicas permite-nos uma relação colaborativa e propositiva com o conhecimento produzido em outras gaiolas? Se sim, de que forma isso acontece?
- Será que sabemos o que conecta os nossos saberes e as nossas práticas dentro e fora do nosso país? Se não, o que podemos fazer?
- Onde estão as tais ações insubordinadas criativas? Devemos investir nesta procura e/ou tomar consciência das nossas próprias atitudes profissionais?
- Temos observado (trans)formações enquanto professores e investigadores/as? Como isso tem afetado as práticas docentes e investigativas?
- Qual é a motivação para implementar práticas inovadoras e ações de insubordinação criativa na promoção da inclusão e do sucesso académico?
O presente caderno temático pretende coligir e disseminar de forma alargada a partilha de ideias e experiências sobre a compreensão da relevância das insubordinações criativas nas pesquisas que emergem nos mais variados âmbitos da educação, tais como a formação de professores, as conexões matemáticas, a consciência crítica, a inclusão e diversidade, a psicologia da educação, as diferentes linguagens , as políticas públicas na educação e as inovações pedagógicas na educação, apoiada na produção científica do 2º Fórum Internacional de Pesquisas do GEPIC, mas acolhendo outros contributos de diversas latitudes geográficas e proveniências universitárias.
Apela-se, assim, aos/às professores e académicos nos vários domínios da Educação que participem neste debate, enriquecendo, deste modo, a partilha de experiências a partir das orientações da redação de artigos preconizada pela revista Saber&Educar.
Coordenação do Número TemáticoCeli Lopes
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Brasil
Daniela Gonçalves
Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti (ESEPF) e CIDTFF, Portugal
Daniella Assemany
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Brasil e CIDTFF, Portugal
Gabriela Brião
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Brasil
Javier García-García
Universidade Autónoma de Guerrero (UAG), México
